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Weather lords (Senhores do Tempo)
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Weather lords (Senhores do Tempo) | Weather lords (Senhores do Tempo) |
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| Written by Sérgio ADEODATO | |
| Thursday, 24 September 2009 | |
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by Sérgio ADEODATO, Valor Economico (in Portuguese)
The global climate predictors in their Geneva headquarters, the World Meteorological Organization: who are they, what do they think, can their oracle change our economic patterns? Estima-se que pelo menos US$ 500 bilhões circularão por ano no mundo para reiventar a economia. "Investir agora em informação climática é o melhor caminho para garantir à atual e às futuras gerações a capacidade de gerir riscos e perceber as oportunidades das mudanças no clima", afirma o russo Alexander Bedritsky, presidente do WMO, em sua sala no oitavo andar do edifício. Ex-chefe do Serviço Federal de Hidrologia e Vigilância Ambiental da Rússia, Bedritsky mudou os rumos da área climática naquele país em tempos de reforma econômica. Hábil nas negociações dos acordos internacionais de meio ambiente, prepara-se agora para a batalha a ser travada em dezembro na COP 15, em Copenhague. "Estou otimista", revela o indiano Rajendra Pachauri, presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), criado há 21 anos pela ONU para fornecer ao mundo uma visão científica clara sobre o estado das alterações climáticas, seus impactos no ambiente e suas consequências econômicas. O relatório divulgado pela entidade em 2007 reuniu evidências e confirmou cientificamente a suspeita: o planeta está aquecendo como resultado das atividades humanas, com efeitos que podem ser catastróficos. "É certo que o tempo é muito curto, mas o acordo virá no último minuto", prevê Pachauri, lembrando que "o Protocolo de Kyoto não foi observado pelos países desenvolvidos". Ele completa: "todos os dias adiamos a ação e assim só aumentamos o problema". Especializado em energia, Pachauri começou a carreira produzindo locomotivas a diesel, na Índia. Hoje prega alternativas contra as emissões e, ao comandar um time sênior que observa as mudanças no clima, frequenta os corredores do WMO. No edifício funciona o escritório central do IPCC. No oitavo andar, doze funcionários coordenam o trabalho de 2.500 cientistas de todo o mundo. O consultor científico Masaya Aiba iniciou os preparativos para o próximo relatório sobre o clima global, aguardado com expectativa para 2014, quando provavelmente já estarão em curso novas políticas e mecanismos que podem ser criados em Copenhague para reduzir emissões de gases-estufa no período pós-Kyoto. Na sala ao lado, Brenda Abrar-Milani tem a tarefa de gerir 1 milhão de euros do Prêmio Nobel da Paz, recebido pelo IPCC em 2007. Metade do recurso será aplicada em cursos de PHD na Europa para cientistas de países pobres, com objetivo de capacitá-los a prever mudanças e enfrentar os impactos do clima em suas regiões. "A iniciativa privada entrará com mais 500 mil euros para ampliar o programa", revela Brenda, sentada à mesa na cafeteria situada no terraço do prédio, com vista para o Lago de Genebra e para o edifício-sede da ONU com seus extensos jardins. Ela revela: "importantes decisões sobre o clima são tomadas olhando para esse cenário". Entre as decisões mais recentes está a de criar uma rede mundial de serviços climáticos, assunto exaustivamente debatido na 3º Conferência Mundial sobre Clima, realizada pelo WMO em Genebra, entre 31 de agosto a 4 de setembro, com a participação de 20 chefes de estado e representantes de 150 países. O objetivo é melhorar a vigilância do clima e a adaptação para os efeitos do aquecimento, criando produtos e serviços específicos para os diferentes setores econômicos nas diversas regiões do planeta. "Apesar dos avanços científicos, a economia e a população não estão preparadas, e precisamos nos mover rápido, porque os impactos estão chegando e os desastres já são evidentes", adverte o meteorologista Michel Jarraud, que chefiou o sistema europeu de previsões climáticas e desde 2004 é secretário geral do WMO. Ele diz que "as indústrias querem respostas mais precisas e seguras". Na análise de Jarraud, "a informação sobre clima precisa ser integrada ao processo de decisão e ao planejamento dos investimentos de longo prazo, principalmente nos países em desenvolvimento". Depois que o IPCC divulgou em 2007 o seu quarto relatório, comprovando que a temperatura do planeta aumentou em torno de 0,8º C desde o início da era industrial, as bases científicas para acompanhar essas mudanças e seus efeitos evoluíram muito. "Mas ainda há lacunas e incertezas", explica Roberta Bosccolo, do WMO. Ela coordena o programa mundial para unificar metodologias, integrar os dados regionais e criar um modelo único de previsão climática. "Não há dúvida que o planeta como um todo está mais quente, mas sabemos pouco sobre o aquecimento e seus impactos em nível regional", afirma Roberta. Setores como o de energia, agricultura, transportes e turismo aguardam previsões mais precisas para tomar decisões. A meta é fazer projeções seguras para cada 10 anos. "A investigação é chave para saber com clareza o que acontecerá com as economias dos países em desenvolvimento, como Brasil, China e Índia, essenciais para o controle do clima global", completa Roberta, física especializada no estudo sobre a influência dos oceanos no clima. "A produção agrícola depende do que acontece nos oceanos", diz Mannava Sivakumar, diretor da Divisão Mundial de Aplicações e Serviços Climáticos do WMO. Ele explica que a relação entre correntes marinhas e atmosfera é chave nos novos modelos para melhorar as previsões climáticas. "Mas, apesar das tecnologias estarem melhor documentadas, o seu uso está longe do ideal em muitos países", lamenta o cientista. Pesquisadores dos principais centros mundiais de observação do clima unem esforços para superar limites. Em tempos de aquecimento global, prever chuva ou sol precisa ir além do que vemos todo dia na TV -- e que muitas vezes nos enganam. "Erros nas previsões são agora problemas cruciais", revela Tim Palmer, do Centro Europeu de Previsões Climáticas."Precisamos de boas observações e computadores em massa". Para Jeray Meehl, do National Center for Atmospheric Research, dos Estados Unidos, "os atuais modelos climáticos não são capazes de atender às necessidades mundiais até 2100". O aquecimento, segundo ele, impõe uma nova era: a dos serviços climáticos. Trata-se da previsão sobre clima focada na mitigação e na adaptação às mudanças. "O desafio é traçar cenários com maior precisão para os próximos 30 anos, incluindo o ciclo de carbono nas previsões", revela Meehl. No sétimo andar o edifício do WMO, o moçambicano Felipe Lucio guarda nas paredes da sala as fotos da enchente que matou 700 pessoas e causou prejuízo de US$ 500 milhões, em 2000, em Moçambique. Na época, Lucio comandava a área de meteorologia naquele país e montou um rigoroso sistema de alerta para a catástrofe não se repetir. Hoje ele trabalha no programa global de redução de desastres, orientando os países a criar leis e adotar tecnologias para tomar decisões rápidas contra inundações outros efeitos extremos do aquecimento. "As mudanças no clima alteram o cenário de riscos, pois os eventos extremos se tornam mais intensos e frequentes, mas falta muito por fazer nos países em desenvolvimento", afirma Lucio. Ele lembra que cada US$ 1 investido na prevenção de desastres ambientais representa uma economia de US$ 8 a US$ 10 no custo das ações de emergência. No prédio de Genebra onde trabalham os "profetas" do clima, são compilados dados para prevenir doenças. "Precisamos de informações sobre clima mais precisas para evitar problemas como a malária, que começa a atingir regiões antes imunes", adverte Maria Neira, diretora do Departamento de Saúde e Meio Ambiente, da Organização Mundial da Saúde. Segundo a especialista, o mundo registra hoje 60 mil mortes por ano diretamente ligadas às mudanças climáticas. Há previsão de um aumento de 35% da população vulnerável à dengue até 2030. "O desafio é reforçar o sistema de saúde", afirma Neira, lembrando que as ações de mitigação, ao reduzir a emissão de gases, podem em paralelo diminuir as atuais 800 mil mortes por ano no planeta resultantes da poluição atmosférica. Quando o assunto é aquecimento global, o mundo descobriu que precisa falar a mesma língua. A questão é complexa. "É preciso traduzir um problema mundial para as realidades locais", ressalta Somesewhar Singh, da Cruz Verde Internacional. Ele alerta: "um terço da população mundial vive na pobreza e não tem respostas sobre o que acontecerá com ela". Para Jean Fabre, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, "a falta de informação é um abismo perigoso, pois estamos falando de garantir condições de vida para as futuras gerações". Entre as personalidades com trânsito livre nos escritórios do WMO está Gro Harlem Brundtland -- a ex-primeira-ministra da Noruega que presidiu em 1987 a Comissão Brundtland, produzindo o primeiro e mais famoso relatório da ONU sobre a relação entre desenvolvimento econômico e conservação do ambiente. Ela propõe a criação imediata de um sistema para coleta de dados sobre clima em longo prazo e um mecanismo de alerta prévio. "Agora sabemos que, mesmo se conseguirmos conter e reduzir as emissões de gases, o clima vai continuar mudando e também nós precisaremos mudar, adaptando-se a um clima mais instável", afirma Brundtland, que hoje percorre no mundo como enviada especial das Nações Unidas em palestras e eventos sobre mudanças climáticas. |


