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Republic of Mali unknown global warming (Os limites da pobreza)
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Republic of Mali unknown global warming (Os limites da pobreza) | Republic of Mali unknown global warming (Os limites da pobreza) |
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| Written by Sérgio ADEODATO | |
| jeudi, 24 septembre 2009 | |
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by Sérgio ADEODATO, Valor Economico (in Portuguese)
Poverty makes it hard to tackle the impact of climate change. But Mali show the way in Africa by using this battle as a development tool. A new UN report calls for bold investments in this field O atraso expõe os limites da pobreza na luta contra o aquecimento global. Em Mali, os impactos preocupam. Desde a década de 1970, as chuvas diminuíram 20% e o Deserto do Saara, que ocupa grande extensão de área no Norte do país, aumentou 200 km para o Sul. Na região de Mopti, próxima ao deserto, a temperatura média atual é 1º C mais quente que 50 anos atrás. A desertificação é evidente, com a redução do volume dos rios entre 40% e 60% nos últimos 30 anos. O delta do Rio Niger, a mais importante planície alagável do oeste africano, está reduzido a menos da metade. Perde por ano 30 bilhões de metros cúbicos de água e entope com os sedimentos que escorrem das plantações, agravando a desertificação. O impacto não afeta só os crocodilos. Com menos água e mais calor, o rio sofre a invasão de plantas exóticas, que prejudicam a navegação e a geração de energia hidrelétrica. O problema também rebaixou os lençóis de água subterrânea, obrigando a perfuração de poços cada vez mais profundos para abastecer a população. “A mudança no clima reduziu as terras boas para pastagens, aumentando conflitos entre proprietários”, revela Sidi Konaté, do Centro Nacional de Pesquisa e Ciência. Ele acrescenta: “já não sabemos quando começa e termina a estação chuvosa, o que tem aumentado a necessidade de irrigação, com maior pressão ambiental sobre os rios”. Incêndios florestais são mais frequentes. “Estamos preparando um amplo programa nacional para aprimorar a observação de mudanças e minimizar os efeitos do aquecimento global, com 19 projetos prioritários”, anuncia Mamadou Gakou, chefe da secretaria de governo responsável pela área ambiental em Mali. “Precisamos melhorar a gestão do país”, completa Gakou, aguardando ajuda financeira da Suécia, Dinamarca, Alemanha e Holanda. Mas há um problema: a corrupção. Tanto a Organização das Nações Unidas (ONU) como as principais ONGs ambientalistas dizem as nações ricas precisam socorrer as mais pobres com recursos na casa das centenas de bilhões de dólares por ano para a adaptação às mudanças no clima. Mas existem dúvidas sobre o real destino do dinheiro, sendo necessário criar um mecanismo global de controle. “Pelo menos 10% da ajuda internacional que chega a Mali é desviada pela corrupção”, lamenta Michel Cadalen, coordenador do Programa de Cooperação Bilateral Mali-Luxemburgo. Do total de US$ 3,8 bilhões investidos anualmente em desenvolvimento econômico e social no país, a maior parte -- cerca de US$ 2,4 bilhões (63%) -- tem como origem recursos do exterior. Outra barreira é o fator cultural. Quando tornou-se independente da França, na década de 1960, Mali tinha 3 milhões de habitantes. Hoje são 12 milhões e 85% dependem dos modelos tradicionais de produção no campo. “Plantar árvores, reduzindo a área produtiva, é visto como insulto aos chefes das comunidades”, explica Cadalen. A ordem dos caciques locais é mais poderosa que as leis oficiais e a religião influencia no sistema de distribuição da terra. “Quando a situação aperta, a população apela para o governo e não raro os problemas são resolvidos via corrupção”, conta Cadalen . Ele lembra que a mistura entre o atraso das práticas tradicionais, o aumento da população e a desertificação resultante do aquecimento global causa um problema difícil: o êxodo para as grandes cidades. A cidade de Bamako, capital do Mali, é retrato do caos. Trata-se de um enorme mercado a céu aberto. De frutas e verduras a camas e armários, tudo se vende nas ruas sem qualquer controle fiscal ou de higiene. Enchentes são comuns e param o transito com número crescente de motos e carros velhos, emissores de fumaça negra -- sinal de um país pobre que cresce sem dar importância para o aquecimento global. Elefantes brancos inacabados, como as obras do aeroporto e dos novos prédios dos ministérios, aguardam mais verbas. Também está no esqueleto o moderno edifício em estilo futurístico do serviço de meteorologia de Mali, o mesmo que espera pela ajuda dos países ricos para vencer os impactos do aquecimento. Na orla fluvial da cidade, destaca-se o luxuoso arranha-céu do Central Bank of West African States com seus 20 andares. Em contraste, a cidade não tem saneamento básico: todo esgoto é despejado sem tratamento no rio Niger. A maioria dos fornos e fogões é abastecida à lenha, com emissão de fuligem no ar, contribuindo para o efeito estufa e para a incidência de doenças. A expectativa de vida é de 45 anos para os homens e de 49, para as mulheres. “A nossa cultura é baseada na calma: o mundo pode estar acabando, mas para nós está tudo bem”, afirma o guia turístico maliano Barry Amadou. É preciso ter paciência nas estradas. São numerosas as barreiras montadas por policiais corruptos para cobrar “pedágio”. Às margens da rodovia que é rota do tráfico de drogas para a vizinha Nova Guiné, uma escola rural criada pelo governo em parceria ONG Mali Folk Center faz experimentos em pequena escala contra a desertificação, como reflorestamento e agricultura orgânica. “Apesar das dificuldades, é possível lutar contra os impactos do clima”, diz a geógrafa Oumon Dicko, assistente do projeto. “Mas os produtores não estão interessados no futuro do clima e sim no que acontece hoje”, rebate Boubakar Dembele, responsável pelos mecanismos de desenvolvimento do país. “Precisamos de tecnologia, mas principalmente de capacidade para usá-la”, conclui. “Os produtores estão sentindo na pele e no bolso os efeitos do aquecimento”, garante o meteorologista Daouda Diarra. Na cidade de San, no leste do país, uma associação de proprietários rurais implanta técnicas mais eficientes de irrigação e usa defensivos naturais para proteger o solo, conseguindo multiplicar por 10 a produtividade local de arroz, carro-chefe da agricultura no país. Com 6 milhões de euros do governo de Luxemburgo, o projeto envolve hoje 500 produtores. Há 2 mil na fila. “Adaptação às mudanças climáticas não é só plantar árvore, mas também ter terra para em condições para cultivar alimento”, afirma Patrick Denis, coordenador técnico do programa. ONU pede investimento “audacioso”Os países ricos precisam repassar aos menos desenvolvidos entre US$ 500 bilhões e US$ 600 bilhões por ano adicionais para a mitigação e a adaptação às mudanças climáticas, segundo novo cálculo do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas. Os valores, três vezes superiores aos debatidos até o momento nas negociações sobre clima, constam no Estudo Econômico e Social Mundial 2009, divulgado no começo de setembro na 3ª Conferência Mundial sobre Clima, em Genebra. “Somente cifras mais audaciosas podem evitar que investimentos em tecnologias de produção suja continuem sendo realizados e, por sua longa vida útil, impeçam novas alternativas nas próximas décadas”, afirma o relatório.Até o momento, os fundos internacionais repassaram apenas US$ 200 milhões para a adaptação ao clima. “No total, somando os investimentos realizados internamente pelos países industrializados para reduzir emissões e mudar a matriz energética, o mundo precisará de US$ 1 trilhão nos próximos 20 anos”, prevê Richard Kozul-Wright, coordenador do estudo. Ele alerta: “será necessário um esforço global tão importante quanto no pós-Guerra”. A ONU enfatiza que a participação ativa de todos os países para enfrentar o desafio climático só acontecerá se as nações em desenvolvimento puderem reduzir a pobreza e manter um rápido crescimento econômico. Para isso, segundo o relatório, será necessário satisfazer a demanda por energia nessas regiões. Para atender entre 1,6 bilhão e 2 bilhões de pessoas que hoje não têm eletricidade no mundo, serão necessários US$ 25 bilhões por ano, nas próximas duas décadas. Estima-se que a capacidade de gerar energia no mundo em desenvolvimento será o dobro da registrada nos países ricos nas próximas décadas. “Nas negociações sobre clima, a pergunta que se faz é como os mais pobres podem continuar o caminho do desenvolvimento com baixo nível de emissões e alto crescimento”, afirma o estudo. Os países em desenvolvimento, segundo conclui o relatório, estão enfrentando desafios muito mais difíceis que as nações mais ricas. “Tanto sob o ponto de vista ético, como político e econômico, é inaceitável a idéia de congelar o nível atual de desigualdade mundial durante os próximos 50 anos ou mais, enquanto o mundo tenta resolver o problema climático”. As estimativas mencionadas no relatório mostram que, para o aumento de 1º C nas temperaturas médias globais, a economia dos países pobres deixará de crescer entre 2% e 3%, sem qualquer mudança no crescimento esperado dos países ricos, que têm emissões per capita em média seis a sete vezes superiores às das nações em desenvolvimento. A ameaça do “carbono negro”Entre os diferentes gases do efeito estufa, o maior vilão é o dióxido de carbono (CO2), emitido pela queima de combustíveis fósseis em automóveis e indústrias no mundo industrializado. Mas o planeta precisa abrir os olhos para poluentes até hoje coadjuvantes nos estudos científicos e nas negociações sobre clima. “A ação mais rápida contra o aquecimento global exige políticas e tecnologias também contra os gases lançados pela queima de lenha para cozinhar e aquecer residências e pelo escapamento de motores a diesel, entre outras fontes”, adverte Achim Steiner, diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep).Os cientistas estimam que quase 50% das emissões que provocam as mudanças climáticas são os chamados “poluentes não-CO2”, como metano, ozônio de baixa atmosfera, compostos de nitrogênio e material particulado -- a fuligem, também conhecida como “carbono negro”. São poluentes que afetam a saúde humana, os cultivos agrícolas e ecossistemas, como as florestas. “Neste momento crítico, quando o mundo se prepara para decidir o futuro do clima, em Copenhague, não podemos negligenciar os demais poluentes que causam o aquecimento”, afirma Steiner. Ele diz que essas fontes poluidoras tem peso importante nos países em desenvolvimento. “Ao considerá-las, podemos desenvolver estratégias mais eficazes e menos dispendiosas”, destaca o climatologista Drew Shindell, da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos. De acordo com dados da ONU, a fumaça com “carbono negro” está entre os poluentes inalados dentro das residências, gerando de 1,8 milhões de mortes prematuras por ano, além das 800 mil causadas pela contaminação do ar no ambiente externo. Calcula-se que esses poluentes causam entre 20% e 50% mais impactos no clima do que o dióxido de carbono. O ozônio, por exemplo, causa a perda de 5% da produção de cereais nos Estados Unidos. Até 2100, poderá reduzir em 40% a produção agrícola global. |


